Edésio Reis Cardoso, o Dé, ex-atleta da Seleção Brasileira

O entrevistado do futsaldeprimeira desta vez é o ex-jogador Edésio Reis Cardoso, o popular Dé, que nos atendeu prontamente. Ele que defendeu na sua carreira as melhores equipes do futsal brasileiro da época (Sadia, Inpacel e GM/Chevrolet), atuando com os melhores jogadores do mundo no futsal, sendo convocado para a Seleção Brasileira em duas oportunidades. A seguir você poderá conferir um pouco mais da carreira vitoriosa desse grande jogador, hoje gerente de esportes de rendimento da Fundação Municipal de Desportos de Blumenau e também  administrador do novo ginásio do Galegão.

Futsaldeprimeira: Como foi o início da sua carreira? A vida toda você jogou somente futsal? Quem foi o seu primeiro treinador?
Dé: Joguei futsal e futebol até os 16 anos, quando optei pelo futsal. Comecei a treinar realmente com o Maneca (Manoel Dalpasquale), com quem aprendi muito da parte técnica e tática do futsal.

Futsaldeprimeira: Quando era atleta, você teve algum ídolo?
Dé: Os meus maiores ídolos no futebol eram o Rivelino, o Zico (apesar de ser tricolor) e o Resembrink (jogador holandês). No futsal quando iniciei tinha grandes jogadores como o Jackson da Perdigão, o Pio (pivô da Perdigão de Videira, SC) e o Medina, ala do Corinthians Paulista.

Futsaldeprimeira: Conte um pouco da sua vida no futsal.
Dé: Iniciei no futsal no Blumenau E.C. (1981) no infantil; depois no juvenil joguei pela AABB (Blumenau, 1984 a 1986); meu primeiro clube no adulto foi a Sulfabril (Blumenau, 1987 a 1990); em 1991 joguei na Sadia de Concórdia; depois joguei 4 anos na Inpacel de Arapoti no Paraná (1991 a 1995), em 1995 fui para São Caetano do Sul jogar na GM/Chevrolet (1995 a 1997); em 1997 ainda joguei em Bento Gonçalves na RESERG; depois voltei a Blumenau para jogar a Liga Futsal em 1998 e encerrei a carreira em 2002 com 35 anos de idade.

Futsaldeprimeira: O que mudou do futsal da sua época para o futsal atual?
Dé: Mudou muito. Dentro e fora da quadra com certeza. Fora, hoje é muito mais profissional, há muito investimento e a televisão cobre os jogos de maneira mais incisiva. Dentro da quadra, as mudanças foram maiores ainda: a bola pesada se tornou bem mais leve, a área de 4 metros passou a ter 6, o lateral era executado com as mãos, não valia gol dentro da área, de 3 substituições passou a ser ilimitado a troca de jogadores. Meus primeiros anos de adulto foram exatamente a transição das regras.

Futsaldeprimeira: Qual o principal título seu com a Sulfabril?
Dé: Com certeza os Jogos Abertos de Santa Catarina. Blumenau não conquistava esse título há 20 anos e já havia batido na trave no ano anterior no JASC de Joaçaba. Jogamos muito na competição. O Tchelo, o Bali e eu estávamos em grande forma e os jogos foram muito prestigiados pela torcida, a ponto de no jogo semifinal contra Florianópolis de Renato Sá, a partida já se aproximava da disputa de pênaltis, quando fizemos o gol da vitória faltando 8 segundos. Foi realmente emocionante.

Futsaldeprimeira: Em que ano você foi convocado para a Seleção Brasileira? Tinha quanto anos? Como foi que você recebeu a notícia?
Dé: Foi em 1995 aos 28 anos. Naquela época dificilmente os mais jovens eram convocados e para chegar à seleção era necessário ser experiente e ter conquistado títulos. Foi a maior honra da minha carreira, e disputamos dois campeonatos: a Copa das Nações na Bélgica e a Copa América no Ibirapuera, em São Paulo. Vencemos as duas competições e fiz grandes amigos.

Futsaldeprimeira: Quem estava naquela Seleção?
Dé: O Sandrinho, com quem jogava na época na GM/Chevrolet; o Vander, o Fininho, Manoel Tobias e o goleiro Serginho, multicampeões pela Seleção Brasileira; também o Marcelo (carrasco brasileiro no Mundial jogando pela Espanha) entre outros.

Futsaldeprimeira: Como você analisa a sua passagem pela Seleção?
Dé: Até acho que poderia ter tido mais oportunidades, mas sei haviam grandes pivôs na minha época, como o Ortiz, Jorginho, Choco e Índio. Mas eu me sinto realizado por ter tido o privilégio de vestir a camisa do Brasil.

Futsaldeprimeira: Fale das equipes que você teve passagem, inclusive dando os nomes dos atletas: Sadia, Inpacel, GM/Chevrolet, Reserg e Blumenau.
Dé: Tive o prazer de jogar ao lado de grandes atletas. Em Blumenau além dos que já citei, poderia lembrar o Paulinho Cavalcanti, o Fabinho, Altair, James, Norberto, e muitos outros. Na Sadia joguei com o Cachimbo, Serginho Bigode, Xavantina, Gil, Brequinha, Manta, etc. Na Inpacel era uma constelação: Bagé, Serginho, Danilo, Edinho, Chiquinho, Índio, Zequinha, Márcio, Ike, Ortiz, etc. Na GM/Chevrolet: Leandro, Vander, Jorginho, Alê, André, Índio (fixo), Vander Carioca. Na Reserg: Abidel, Chupeta, Nelsinho, etc. Muita gente boa, com certeza.

Futsaldeprimeira: Naquela época era mais difícil jogar no exterior? Você teve propostas?
Dé: O mercado europeu era novo e o futsal brasileiro pagava mais que o Espanhol. A moeda não era tão forte como agora. Jogamos algumas vezes na Espanha e vencemos a seleção espanhola duas vezes, mesmo jogando por clube, mas pessoalmente nunca recebi nenhuma proposta, acho que não teria aceitado na ocasião.

Futsaldeprimeira: De todos os treinadores que você trabalhou, quais você destaca como os melhores? Porque?
Dé: Acho que quando o jogador acredita na proposta de jogo do treinador ele é sempre importante. Não poderia deixar de falar no Maneca que me fez passar de “peladeiro” para um atleta de verdade, com sua seriedade, inteligência e dedicação. O Ney Pereira também foi muito importante, pois com ele cheguei à seleção e foi o primeiro que me colocou na posição de pivô (até então eu só jogava de ala). O Ferreti também foi outro grande (não só no tamanho), mas pela sua inteligência e tranquilidade nos momentos decisivos.

Futsaldeprimeira: Qual a sensação de jogar nas melhores equipes do Brasil? A Inpacel, GM/Chevrolet seria como uma Malwee hoje?
Dé: Jogar com grandes jogadores faz você crescer e aprender muito. São épocas bem diferentes. Naquela época todos os grandes jogadores jogavam no Brasil e, portanto havia muitas equipes com jogadores muito decisivos. A GM/Chevrolet na minha passagem começava a se firmar e tinha poucos jogadores de fora de São Paulo. Já a Inpacel sim, todos os seus atletas tinham passagem pela seleção e vários eram campeões mundiais e foi quase imbatível por três anos.

Futsaldeprimeira: Você é formado em que? Qual Universidade?
Dé: Depois que parei de jogar profissionalmente me formei em Educação Física na FURB de Blumenau em 2002 e fiz especialização em Educação Física Escolar no ICPG 2m 2003.

Futsaldeprimeira: Hoje trabalha aonde? Qual a sua função?
Dé: Na Fundação Municipal de Desportos de Blumenau, como gerente de esportes de rendimento, coordenando o Programa de Iniciação Esportiva, administrando o Ginásio do Galegão e coordenando a logística de Blumenau nas competições estaduais.

Futsaldeprimeira: O Galegão pode ser a nova casa do futsal blumenauense?
Dé: É um ginásio que pode muito bem receber o futsal no atual momento da equipe da ADHering. Com a presença maciça dos torcedores pode ser o fator primordial para Blumenau conquistar a primeira divisão.

Futsaldeprimeira: Quais são os projetos para o novo Galegão? Quais eventos poderão vir?
Dé: O Galegão deve ser casa das equipes de futsal, voleibol e basquete de Blumenau neste ano; deve ainda abrigar muitas competições escolares e a Abertura dos Jogos da Primavera. Mas espero que outras competições de grande vulto possam ser realizadas lá.

Futsaldeprimeira: Qual a sua opinião sobre o trabalho de base que é feito com o futsal de Blumenau?
Dé: Sempre foi muito bom, desde a época do Maneca. Prova disto é a quantidade de blumenauenses que disputam campeonatos pelo Brasil e mundo a fora. A AABB e Sulfabril começaram essa trajetória, depois vieram a Hering, Apama e Spaca Blu. Quantos aos profissionais foram muitos depois do Maneca, citando por exemplo o Alexandre Jahn, o Jorginho, Reginaldo de Souza, Valmir Serpa e Egidio Beckauser.

Futsaldeprimeira: Qual a sua opinião sobre a equipe da ADHering na 1ª Divisão?
Dé: É uma jovem equipe, que vai crescer muito durante a temporada. Como toda equipe jovem, vai ter dificuldades quando jogar fora de seus domínios. Mas acredito que possa chegar à decisão da competição.
 

Futsaldeprimeira: Quais são seus projetos na vida profissional?Ser treinador?
Dé: Não, nunca quis ser treinador. Não acho que tenho perfil para tal função. Se fosse trabalhar no futsal de competição, gostaria de fazer uma função mais administrativa. Até acredito que me sairia bem durante o jogo, mas não teria muita paciência nos treinamentos.

Futsaldeprimeira: Qual a sua opinião sobre a Liga Futsal 2008? Quais são seus favoritos?
Dé: Olha, não há como esconder o favoritismo da Malwee/Jaraguá, pela estrutura, pelos profissionais que lá trabalham e pelos jogadores acostumados a decidir.

Futsaldeprimeira: Você é a favor de ter uma 2ª divisão da Liga Futsal?
Dé: Acho uma idéia interessante, mas não vejo que a liga esteja preparada para isso. Depois de 10 anos a Liga ainda está longe da Liga Espanhola em organização e contratos com patrocinadores e televisão.

Futsaldeprimeira: O que falta para a Liga Futsal ter uma maior expressão?
Dé: Basicamente trazer os grandes jogadores que saíram do país, segurar as revelações, buscar profissionais em marketing, trazer mais patrocinadores, apoiar mais os clubes e formar mais profissionais nas áreas técnicas dos clubes.

Futsaldeprimeira: Qual o seu ponto de vista sobre os atletas novos que estão a cada dia se transferindo mais cedo para o exterior?
Dé: Para os atletas pode ser bom financeiramente, mas atrapalha muito os clubes, principalmente os formadores, que investem muito e não tem retorno algum. E muitos saindo cedo estão se naturalizando para defender outras seleções, o que eu não concordo de maneira alguma.

Futsaldeprimeira: O Brasil recupera a hegemonia do futsal mundial este ano? Quais seriam os seus favoritos ao título da Copa do Mundo?
Dé: Acredito que vai ser uma campanha muito complicada pela pressão de dois mundiais sem vitória e dos concorrentes como a Espanha e Itália, mas jogando em casa as chances são bem grandes.

Futsaldeprimeira: Você esteve na equipe blumenauense (Blu/BTV/DalPonte) que disputou a Liga Futsal 98. Futuramente Blumenau poderá ter uma equipe disputando novamente uma Liga Futsal?
Dé: Blumenau é uma cidade que tem tradição no esporte amador. A Liga é uma competição pede muito investimento, pois há algumas potências. Mas se for feito um projeto em longo prazo é bem viável, porque o público compareceria e os patrocinadores poderiam bancar essa idéia.

Futsaldeprimeira: Qual o momento mais importante da sua carreira?
Dé: Eu joguei futsal durante 25 anos porque fazia com paixão. Cada momento que eu entrava na quadra para treinar já me bastava, imagina quando conquistava um título. Mas o momento que eu mais tenho boas lembranças foi num jogo quando era juvenil e derrotamos o Colegial por 3 a 0, foi um simples jogo pela fase final do estadual de 86, mas acho que foi a melhor partida que eu fiz na minha vida.

Futsaldeprimeira: Qual o melhor jogador que você já viu atuar?
Dé: O Manoel Tobias foi o mais completo sem dúvida. Mas vi o Serginho (goleiro campeão mundial) fazer muitos milagres e o Ortiz foi o mais decisivo jogador que eu vi jogar.

Futsaldeprimeira: Como foi o seu primeiro título? Onde?
Dé: Fui campeão Estadual Infantil pelo B.E.C. em 1981, em Blumenau.

Futsaldeprimeira: Como em toda entrevista que fizemos, não podemos deixar de pedir a você que deixe alguns conselhos para quem estiver iniciando a carreira no futsal.
Dé: Hoje sou um educador sobre tudo, então eu aconselho os jovens a estudarem bastante, ler muito e obedecer às pessoas que querem seu bem.

Futsaldeprimeira: O que falta para o futsal ser olímpico?
Dé: Em 89 ou 90, não lembro bem, joguei contra o Douglas (campeão mundial e ótimo jogador, um cara muito dez), e ele disse que desde que era juvenil ouvia dizer que o futebol de salão, até então, ia ser olímpico. Passaram-se quase 30 anos e nada. Eu não acredito que o futsal se tornará olímpico e isso é deprimente. Acho que o futebol de areia e o futevôlei chegam lá antes.

Futsaldeprimeira: Conte uma história engraçada que você vivenciou.
Dé: Foram muitas algumas eu vi, outras me contaram. Teve um jogador que chegou à Europa e vendo os belos castelos e museus de Madri disse: “O que é a natureza, né?”; outro na mesma viagem disse que queria usar um “inalador nasal” para melhorar o rendimento e que o Suker (artilheiro da Croácia) era “croático”.

Futsaldeprimeira: Você tem acompanhado o futsaldeprimeira diariamente?
Dé: Com certeza, informação é muito importante, ainda mais quando o assunto é tão fascinante como o futsal. Parabéns ao site!

Futsaldeprimeira: Nós do futsaldeprimeira agradecemos muito a sua atenção e o carinho que tem pelo site. Queremos lhe parabenizar você pela vitoriosa carreira, por representar muito bem a nossa cidade. Parabéns também pelo excelente trabalho que você realiza na Fundação Municipal de Desportos. Pedimos que você deixe o seu e-mail para quem quiser entrar em contato com você.
Dé: Eu agradeço a oportunidade e quando precisarem estamos a disposição. O meu e-mail é ie@fmdblumenau.com.br ou dehfutsal@hotmail.com .

 

Fonte: www.futsaldeprimeira.com

 















 
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